terça-feira, 2 de março de 2010

QUASE --LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

Ainda pior que a convicção do não
e a incerteza do talvez,
é a desilusão do quase.
É o quase que me incomoda,
que me entristece,
que me mata trazendo tudo o que poderia
ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo,
quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas ideias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no outono
Pergunto-me ,ás vezes,o que nos leva a escolher uma vida morna;
ou melhor não me pergunto contesto.
A resposta eu sei de cor, esta estampada na distância e frieza
dos sorrisos,na frouxidão dos abraços, na indiferença do "Bom Dia", quase que sussurrados.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre alegria e a dor,
sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas,
os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina,não inspira,não aflige nem acalma,apenas amplia
o vazio que cada um traz dentro de si...
Pros erros há perdão;
pros fracassos, chances;
pros amores impossíveis,tempo
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instatâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar
Desconfie do destino e acredite em você
Gaste mais horas realizando que sonhando,
fazendo que planejando,
vivendo que esperando porque,
embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu.




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